segunda-feira, janeiro 17, 2011
Sugando Alegre(mente) o seio da República
Nobre Finíssimo
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Efeito borboleta à portuguesa
terça-feira, dezembro 14, 2010
Weaky journalism (jornalismo fraquinho)
Tudo repescado e já requentado, sabe mesmo bem para alimentar uma polémica fútil entre paragens do autocarro. Mas toda esta informação aos trambolhões, o histerismo próprio dos comentadores de serviço, serve tanto para o desenvolvimento humano e social como o conteúdo da Torre do Tombo largado na sala de um analfabeto ou do Daniel Oliveira.
O WikiLeaks pretende desmascarar as "agendas" políticas, os ...gates disto e os ...gates daquilo. Está bem. E não será isto mesmo uma "agenda"? A agenda da anarquia.
sexta-feira, dezembro 03, 2010
Candidatura à fíf(i)a ibérica
Tem de se encontrar rapidamente outra coisa, além do patriotismo futebolês, para se entreter o povinho nos próximos tempos.
quarta-feira, novembro 24, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
O abcesso
Em qualquer das hipóteses a consequência é a mesma. Vamos levar com isto em cheio na boca.
segunda-feira, novembro 08, 2010
O segredo dos chineses
A China, que tem uma política de expansão agressiva e de colonialismo económico sobre economias emergentes e mesmo consolidadas, dando por exemplo Angola e os próprios Estados Unidos, onde já detém fatias de leão no comércio e construção, estende agora "generosamente" a mão a Portugal. Não para ser apertada, mas para ser beijada, bajulada.
Mas nós vamos lá, fazemos fila, como na sopa dos pobres. Não há ninguém que explique ao engenheiro de fim-de-semana que duplicar as relações comerciais com a China é um atentado à soberania económica do país, se não hoje, a prazo e para as futuras gerações? Que mais lojas de produtos chineses não devem existir porque dão cabo das empresas portuguesas? Que produzir na China é tirar postos de trabalho a cidadãos portugueses?
Durão Barroso, o ex-maoísta do MRPP, é que nunca imaginou que este sonho iria tornar-se realidade. Deve estar amarelo - mas de inveja - por não ser agora PM e estar lado a lado com Hu Jintao no Palácio de São Bento.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Roma começa a arder
Nem a propósito, a capa de sexta-feira do Jornal de Negócios, é uma entrevista da Anabela Mota Ribeiro ao "histórico" do Partido Socialista, Henrique Neto.
Nada que já não fosse do conhecimento geral. Mas dito por um membro da família política tem outro élan, outra graça. O auge virá apenas quando finalmente arder na pira que alimentou.
quinta-feira, novembro 04, 2010
À altura desta antiga profissão
Faz o que sabe melhor. Deputa.
sábado, outubro 30, 2010
País de alterne
quinta-feira, outubro 28, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
Responsabilidade política
Sintomático é também o facto de não se pedir responsabilidade aos partidos da esquerda - fenómeno que a comunicação social não explora a bem as simpatias ideológicas da generalidade das redacções - e identifica claramente o lado do hemisfério onde se concentra o populismo.
segunda-feira, outubro 18, 2010
Contas de teenagers inconscientes
Vê os colegas com aceleras, telemóveis de última geração, integrados nos grupos da moda, a serem ouvidos e respeitados. Esse adolescente, apesar dos poucos rendimentos que consegue reunir, quer tudo aquilo a que tem direito. Começa então a pensar em comprar uma mota, um iPhone, uns óculos Ray Ban, frequenta a noite, os bares e discotecas mais concorridos. Gasta o que tem e, quando não tem, pede emprestado a gente duvidosa. Se essa fonte esgotar rouba a carteira de quem já lhe dá a magra mesada possível. Inicia negócios pouco lícitos, desenrasca umas pedras de haxixe para vender aos colegas, vende CDs e DVDs de contrabando.
Um dia os pais desse Zé, que tem mais uns irmãos da mesma espécie, dizem-lhes que têm de orientar os gastos e saber usar o pouco dinheiro que têm à disposição. "Estamos em crise, são tempos de austeridade". Deverão saber gastá-lo nas suas prioridades. Caso contrário, a torneira fecha-se e os quartos serão invadidos para ver que tipo de desperdícios é que andam a fazer.
O Zé - vamos chamar-lhe assim - não gostou do que ouviu, acha que o mal é do mundo que lhe exige muito, e vai falar com os irmãos para "negociar" as dívidas que contraiu. Para que façam um pacto. Apesar de nenhum deles, e acima de todos o Zé, ter qualquer intenção de mudar de vida, querem mostrar aos pais que estes devem manter o seu contributo, devem continuar a pagar a mesada porque terão juízo no futuro.
Acha mesmo que os pais não devem dar um correctivo a esta gente? A resposta fica ao critério de cada um. Em particular do maior partido da oposição.
sábado, outubro 16, 2010
Linha Verde Orçamento 2011
Gostava de lhe dar uma palavrinha...
segunda-feira, outubro 04, 2010
Casas Reais do Erário Republicano
Dinastia de Eanes: 1976-1986
Dinastia de Soares: 1986-1996
Dinastia de Sampaio: 1996-2006
Dinastia de Silva: 2006-201...
Dinastia de Guterres: 201...-202...
Cem anos disto
Matou-se a Monarquia. Cem anos depois ainda há orgulho nisso. No seu lugar foi colocada a Senhora das Maminhas para ser esquartejada e repartida pelo Rei dos Frangos que estiver de serviço. Que aproveite e lhe ponha molho picante por cima.
quinta-feira, setembro 30, 2010
Sindroma de Down - diagnóstico tardio
Pois, após o primeiro-ministro vir, ele próprio, reconhecer que não há mão nas contas públicas e, por isso, é necessário meter a mão ainda mais fundo no bolso do povão, é justificável o diagnóstico - embora tardio - de que o verdadeiro mal do PS é sofrer do sindroma de Down. Além de ter uma capacidade cognitiva abaixo da média e sofrer de atraso mental leve a moderado, este socialismo resulta de um desvio genético capaz de envergonhar os arautos do Centenário... Será mesmo interessante assistir às declarações do candidato "justo e solidário" Alegre sobre a "austeridade" socialista da III República.
Sindroma de Down é também o que foi esta noite anunciado. As linhas gerais do orçamento discutidas em Conselho de Ministros demonstram que o caminho é sempre a descer.
sexta-feira, setembro 24, 2010
A Amante do Tenente Francês
Até à aprovação/ chumbo do Orçamento, a trama política tal como se apresenta - alimentada pelas mensagens do delfim Silva Pereira em entrevista ao canal governamental do Estado - promete ser em tudo semelhante à história pós-moderna da Amante do Tenente Francês.
O final está em aberto, não se sabendo de onde virão as paixões e para onde os levarão as traições. Passos Coelho no papel de governanta e Pinto de Sousa como tenente francês (ambos muito elegantes), sendo certo que alguém vai sair beliscado eleitoralmente deste romance sem freios. Resta saber se este é o Orçamento que convém ao Estado, se é este o Estado que convém ao Orçamento ou se cada um vai à sua vida.
sábado, setembro 18, 2010
"Mãe, tenho FóMI"
Degradação psiquiátrica do governo em Alta Velocidade
É isso que o governo de Portugal utiliza, a mentira como ferramenta de gestão política das expectativas.
Como é que pode o primeiro-ministro GARANTIR, nos finais de Agosto de 2010, que a economia dá sinais encorajadores, «mais do que aquilo que foi o crescimento médio da União Europeia», e quase em simultâneo justificar que o cancelamento do TGV, terceira travessia do Tejo e afins afinal se devem à degradação da conjuntura económica e financeira?
Em que ficamos? No crescimento ou na degradação? Ou será uma questão de sanidade? Venderam-nos um governo Socialista, saiu-nos em sorte a Ala de internamento psiquiátrico do Hospital Júlio de Matos.
quarta-feira, setembro 15, 2010
Abusos de linguagem
Por estes dias - que já vão longos - quando se acaba de ver os noticiários é preciso tomar um bom banho. Andamos metidos numa conspurcação colectiva e parece que o sarro não há meio de ir pela Pia abaixo.
quarta-feira, agosto 18, 2010
Eu congratulo-me, tu congratulas-te, ele congratula-se
O secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional congratulou-se com a estagnação do número de desempregados (registados) em 10,6% da população activa em Portugal;
O ministro da Administração Interna congratulou-se porque os 71 mil hectares de área ardida neste Verão é inferior aos milhares de hectares ardidos "nos períodos homólogos" de 2003 e 2005. Graças a Deus, acrescento eu.
É do conhecimento geral que gente de todas as idades e classes o faz. É por isso, também, que alguém devia recordar àqueles senhores, a bem da decência, que se deviam congratular em privado e longe dos nossos olhos.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Perversidades contra o delfim Pereira
«[...] famosa reunião de 17 de Janeiro [2001], quinta-feira, que juntou à mesa nas instalações do Ministério [do Ambiente], na Rua do Século em Lisboa, um grupo numeroso de gente interessada em resolver o problema do Freeport.
À mesa sentaram-se representantes dos promotores imobiliários, o ministro, os secretários de Estado Rui Nobre Gonçalves e Pedro Silva Pereira, o edil de Alcochete [José Dias Inocêncio, PS], Charles Smith e Manuel Pedro, e vários técnicos do ministério [...]»
«Ao mesmo tempo que Sócrates se reunia na sede do Ministério do Ambiente, a poucos quilómetros dali, o Presidente da República Jorge Sampaio dissolvia, no seu gabinete no Palácio de Belém, a Assembleia da República e convocava eleições legislativas antecipadas para 17 de Março de 2002. O governo acabara de entrar formalmente em fase de gestão, podendo apenas tomar decisões relativas a assuntos correntes, ficando excepcionalmente condicionado em relação à publicação de novas leis, decisões em matéria de investimentos públicos ou na esfera pública.»
«Apesar de tudo isso, bastaram 56 dias para ser emitida a Declaração de Avaliação de Impacte Ambiental positiva ao complexo comercial Freeport em Alcochete, tendo sido desafectados quase 38 hectares inscritos na ZPE, sem consulta prévia da Comissão Europeia, como era obrigação do Estado português.»
«A 5 de Fevereiro, o secretário de Estado do Ordenamento do Território, Pedro Silva Pereira, publicou um despacho anunciando que, desde esse dia e até 5 de Março, o Estudo estava disponível para consulta pública.
[a 14 de Março de 2002] o diploma foi levado à reunião [Conselho de Ministros] pela mão de José Sócrates, ministro do Ambiente, tendo a autorização para a construção do outlet recebido luz verde do XIV Governo Constitucional. E tudo a três dias das eleições legislativas que o PS perdeu. [...] este foi o Estudo de Impacte Ambiental mais rapidamente aprovado da história de Portugal, tal como consta na base de dados da Agência Portuguesa do Ambiente: foi entregue, avaliado e aprovado em 56 dias (dos quais apenas 39 úteis).»
«[...] a 10 de Fevereiro de 2005 [Sócrates] afirmou ter tido necessidade de recorrer a uma 'bengala' chamada Pedro Silva Pereira, que tida sido seu secretário de Estado do Ordenamento, para obter respostas sobre o Freeport. "Então telefonei ao Pedro Silva Pereira (...) e o Pedro, que tinha essa memória e os documentos todos, veio de Cascais para Setúbal para me explicar o que tinha sido feito no governo e para redigirmos um comunicado de imprensa", recordou Sócrates na sua biografia autorizada.»
«Se tinha sido Rui Nobre Gonçalves quem mais acompanhou, por delegação expressa de competências, todo o processo Freeport, como é que a "memória" dos factos estava guardada na cabeça de Pedro Silva Pereira e os "documentos todos" na sua casa particular de Cascais? Como é que era ele quem tinha memória e documentação de um processo que oficialmente não estava sob a sua tutela e só pontualmente acompanhava?»
segunda-feira, agosto 02, 2010
Heil!
«Por outro lado, admiro-o por muitas razões, não só a resistência psíquica, clarividência, capacidade oratória, a de se deslocar. Ele é como Deus nosso Senhor, está em toda a parte.
Ele cansa um exército e quando vai a qualquer país ainda vai correr na rua. Mas há uma coisa que admiro muito nele: a capacidade de inovação. Nunca ninguém fez tantas reformas como ele, sobretudo no anterior Governo, nomeadamente na área das novas tecnologias, saúde, energia.»
Este discurso de Goebbels sobre Adolf Hitler é muito parecido com uma entrevista de Almeida Santos sobre José Sócrates.
Ou é vice-versa?
sexta-feira, julho 30, 2010
Da "excelente" economia de casino
É o mesmo primeiro-ministro que, qual profissional jogador de casino, vem agora sacar da cartada da golden-share no negócio da PT-Telefónica sobre a Vivo para se afirmar o vencedor de um «excelente negócio».
O que mudou de há um mês para cá na Vivo que deixou de ser estratégico e vital para a economia portuguesa? Mudou o preço... Tudo tem, afinal, um preço ao contrário do que dizia o soldadinho-de-chumbo Granadeiro e nada, na manipulação governamental de um negócio com 74% dos accionistas com posição vendedora, foi estratégico.
A PT (Peta Total) que o PM nos apresenta neste final de semana esboroa-se tão simplesmente como o facto de que a Vivo foi mesmo vendida à espanhola Telefónia, ainda que por mais uns milhões (pagos em tranches), tornando-se dominante naquele mercado. Além disso a Oi não é um coelho sacado da cartola socratina, estava já a ser estudada como alternativa à presença no Brasil. Uma alternativa pobre, por sinal, que pode muito bem ter sido comprada mais cara, à custa do brio patrioteiro.
Ninguém se questiona, todos saúdam o punhado de euros que o querido líder recolheu para salvar a honra do país. E que mais? Miserável país de gente sem memória.
quarta-feira, julho 28, 2010
Acabaram-se as campanhas negras
Barack Obama também teve direito a uma campanha dessas e tornou-se presidente dos Estados Unidos. Até ganhou o nóbel da Paz.
Venham as campanhas negras!
Caso Freeport concluído sem implicar José Sócrates
quarta-feira, julho 21, 2010
Estratégico
Ao mesmo tempo, nunca nos quiseram fazer sentir tão "estratégicos", apesar de pobres e pequeninos. Mas quê?! São as parcerias estratégicas e as alianças estratégicas, os negócios estratégicos das empresas estratégicas, os investimentos estratégicos e os planos estratégicos. É o desenvolvimento estratégico através de uma estratégia política de desenvolvimento... estratégico. São as visões estratégicas para segmentos estratégicos. Mercados estratégicos e linhas de orientação estratégicas. O potencial estratégico de indústrias estratégicas. Portugal é estratégico. Sem estrategas.
Que lhes seja feita justiça, a estes tipos que nos governam, porque revelam uma capacidade verdadeiramente estratégica. De nos lixar a todos.
terça-feira, julho 20, 2010
Imagens inéditas procuram-se... e vergonha na cara
Há quanto tempo nos esquecemos que Angola não é uma democracia? Foram precisos quantos anos para apagar o facto histórico de que, se hoje não existe guerra civil em Angola, é porque Jonas Savimbi (outro inocente no processo de independência daquele país...), foi capturado e assassinado no mato, sem julgamento, decapitando-se assim a liderança da UNITA, única facção capaz de hipoteticamente tentar disputar as hipotéticas eleições?
Qual foi a última data em que o povo angolano foi chamado a eleger um governo? Quantas vezes foram já prometidas eleições pelo MPLA, que tomou de assalto o poder há mais de 30 anos, sem nunca ter consultado a população? Para onde vai o dinheiro do petróleo, do ouro, dos diamantes?
Provavelmente para dentro da Louis Vuitton que Isabel dos Santos (a filha com queda para os negócios) traz a Portugal, onde deita por cima das melhores empresas nacionais os seus petrodólares.
Com estranheza, durante o primeiro mandato que agora termina fomos entranhando as "parcerias estratégicas" de Cavaco Silva com gente de má reputação que, por sua vez, se orgulha de tratar por tu os democratas Chávez e Kadafi.
Por muito que do ponto de vista económico seja vital lançar a âncora aos principais mercados para onde Portugal exporta os seus produtos e serviços, Cavaco pode não ofender a Mota-Engil, o grupo Espírito Santo, a Teixeira Duarte, a Águas de Portugal, a Galp ou a EDP, mas envergonha todos os portugueses que sabem e se lembram quem é Eduardo dos Santos, de onde vem e quais as responsabilidades do MPLA em três décadas de morte, miséria, êxodo e orfandade em Angola.
sexta-feira, julho 16, 2010
Profecias moluscolares
quinta-feira, julho 15, 2010
Em direcção ao abismo
Com o mar pela frente e o Comandante Pinto de Sousa ao leme sem carta de marinheiro, sabemos no que isso dá. Portugal à deriva.
quarta-feira, julho 14, 2010
Testes ao stress
No fundo, as doenças de uns reflectem-se nas perturbações dos outros.
A vida no Asteróide B612
Nós, por cá, temos o nosso principezinho que vive num mundo só seu. Nele, «está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice» e, mais recentemente, sabe-se que é onde «não há país que tenha feito mais reformas nos últimos cinco anos».
É justo
Vem o presidente da República e os analistas e desvalorizam o corte do rating.
Quem diz é quem é.
sexta-feira, julho 09, 2010
A raça barrosã de Bruxelas
Em compensação, continua a dar-nos a honra de manter a sua égide barrosã a partir de Bruxelas, que de certeza nos trará muita prosperidade. Curioso que a mesma alegoria das vacas gordas já tinha sido utilizada em 2003, durante o seu curto périplo como primeiro-ministro de Portugal.
Tal como a Vivo para a PT, Durão também é uma espécie de empresa portuguesa com participação no estrangeiro, e que representa um interesse estratégico nacional. Como o nobel Saramago, o Cristiano Ronaldo ou o José Morinho. No nosso íntimo colectivo também achamos que temos direitos especiais sobre eles, como o governo sobre os negócios da PT.
segunda-feira, julho 05, 2010
quinta-feira, julho 01, 2010
Para utilizar em caso de necessidade
Como, de resto, a dissolução do Parlamento.
São as acções douradinhas que nos fazem crescer
Além de Chico Buarque e de Almeida Santos, outra das grandes referências da juventude de José Sócrates é o Capitão Iglo.
O primeiro-ministro muitas vezes se sente sozinho a puxar pelas energias do país, porque só ele sabe dar real valor aos douradinhos.
terça-feira, junho 29, 2010
Sexo, Dinheiro e Poder
Sexo: Advogando que nada se deve opor à liberdade e à felicidade individual (eu-eu-eu), sob o signo da "modernidade" o primeiro-ministro impôs a Portugal a promulgação do
Dinheiro: O princípio do "quem não deve, não teme", não pode ser argumento para tudo. E sobretudo não pode servir para um governo dito democrático enveredar pela via Orwelliana do Grande Irmão fiscal, que tudo observa porque todo o cidadão é um potencial infractor. Pior, servir para o Estado, seguindo um outro modelo Foucaultiano, "vigiar e punir" quem pode ser potencial fonte de receita para os cofres públicos.
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, toma-nos por parvos ao argumentar que «os bancos não serão obrigados a declarar os activos dos contribuintes mas apenas os rendimentos pagos e as retenções». Vejamos um raciocínio simples. Sabendo que a taxa liberatória (retenção na fonte) é de 20% para montantes aplicados numa instituição financeira há menos de cinco anos, conhecendo a remuneração média paga pelos bancos aos seus clientes nos dois últimos anos e os produtos comercializados (através do Banco de Portugal), facilmente a administração fiscal chega aos activos de que os contribuintes sejam titulares em qualquer banco a operar em solo nacional.
Poder: É aquilo que os portugueses continuam a entregar, de forma amorfa, enebriada e acrítica, ao primeiro-ministro e à sua trupe de boys ludibrio-malabaristas.
Ah, é verdade. Portugal vs Espanha às 19h30.
segunda-feira, junho 28, 2010
Censos 2011 pergunta qual a orientaçao sexual
«É obrigatório responder ao Censos, sendo a recusa punida com pagamento de coima entre 250 a 25 mil euros. O Censos ocorre de dez em dez anos. Em 2011, pela primeira vez, pode responder-se pela net.»
"Portugal é a uma hérnia estrangulada"
quinta-feira, junho 24, 2010
Lisboa, que fé professas?
Sendo o segundo um dos muitos detractores (adj. aquele detrai; difamador; maldizente) do primeiro, representante máximo da Igreja Católica no mundo, trata-se do mais recente exemplo da má estratégica de marketing adoptada pela equipa do presidente Costa. De uma parolice confrangedora, de quem se verga apenas e só aos títulos ostentados pelas figuras que passam pela capital, em vivos ou jazendo mortos.
Homenagem feita ao mensageiro, Santidade ou Nobel, e não à mensagem. Caim ou Deus é Amor? Evangelho segundo Jesus Cristo ou Caridade na Verdade?
Está à vista que a cartilha do Partido Socialista para Lisboa é um "manual de maus costumes".
quarta-feira, junho 23, 2010
Dignidade aos restos mortais do nobel
sábado, junho 19, 2010
Obituário
Tem sido um mau ano para o PCP.
14 Maio - Saldanha Sanches
2 Junho - Rosa Coutinho
18 Junho - O ponto final do homem que não usava pontos finais.
sexta-feira, junho 18, 2010
Fernão Lopes, Oliveira Martins, José Mattoso... Moita Flores
Pela mão da RTP (bendito serviço público) trouxe-nos os conhecidos casos Ballet Rose, as estórias de Alves dos Reis, d'A Ferreirinha e o Processo dos Távoras. Todos episódios ou personagens da história de Portugal sobre os quais, sabe-se lá por quê - talvez por proporcionarem ardentes cenas de alcova - entendeu dar asas à criação. O título mais recente dado à estampa é Mataram o Sidónio!, com direito a spot de TV e tudo.
Moita Flores, pode dizer-se com justiça, dá razão de ser à categoria literária "Romance Histórico", pela sua apetência por alegadamente investigar e depois escolher ficcionar sobre as suas investigações. Daqui não resultaria qualquer mal, não fosse a enorme iliteracia reinante. O que se vai passar com mais este livro do ex-PJ é que, novamente a pretexto de se dar a conhecer um período conturbado, polémico e blá-blá-blá da república, nos escaparates das livrarias vai ficar exposto romance "de amor e morte" e não os factos da História.
Se não tivermos cuidado, um dia destes são os livros de estórias de Moita Flores a ser leccionados nas escolas em vez das obras de Fernão Lopes, Oliveira Martins ou José Mattoso, apenas para citar alguns.
Já temos uma ministra da Educação ficcionista e modelos pedagógicos virtuais. Falta muito pouco para ficcionar tudo o resto.
quarta-feira, junho 16, 2010
Portugal, a casa dos horrores
Esta espécie de parelha política PS/ PSD que lidera o bipolarismo (patológico) governativo nacional arrisca-se a uma justa comparação entre Portugal e Josef Fritzl.
Senão vejamos: o chamado "monstro" austríaco foi carrasco da filha durante 24 anos. Em Portugal, Cavaco Silva tornou-se, mais ou menos nessa altura, "pai do monstro" chamado défice das contas públicas. Mas os indícios não ficam por aqui. Tanto o psicopata como os... sucessivos líderes dos governos de Portugal e suas respectivas oposições souberam manter os segredos ocultos da sociedade durante mais de duas décadas, evidenciando comportamento manipulador, calculista e perverso, com grande capacidade de adaptação e de "arranjar desculpas para as coisas que foram acontecendo". Faz lembrar alguém muito próximo, não é?
E as mais recentes preocupações com a "credibilidade externa", as idas a Wall Street, as acções de charme em Bruxelas, são disto exemplo. À semelhança de Josef Fritz, Sócrates e Passos Coelho também não parecem importar-se com mentir, roubar e silenciar as suas vítimas, os seus eleitores, para que os vizinhos da Europa, a quem precisamos pedir dois ovos e um raminho de salsa, nos considerem gente séria e de bem. Ainda que no tango se mostrem belas pernas, o par é tudo menos recomendável.
segunda-feira, junho 14, 2010
Ficções do interlúdio
Entretanto, António Guterres inicia esta terça-feira o seu segundo mandato como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Vai-se entretendo nos próximos cinco anos até ter finalmente o caminho livre para Belém, com um eventual nobél da paz ao peito. Curioso que o único país do mundo de que Guterres fugiu ou se quis refugiar foi Portugal.
Imagina-se que os pântanos que encontra lá por fora não sejam tão assustadores que o levem a demitir-se desta vez.
domingo, junho 13, 2010
Arrufos de namorados
Pedro poderá não deixar José fazer-lhe "brincadeiras" no quarto escuro durante uma semana. Pelo menos.
sexta-feira, junho 04, 2010
As origens da espécie de Maçada
Pergunta de algibeira
Pela suas capacidades como juízes de linha num torneio de ténis?
quinta-feira, junho 03, 2010
A retroactividade da mentira
Em 22 de Maio, a mesma personagem impossível de classificar despachou e clarificou de seguida, para que não houvessem dúvidas: «as novas taxas de IRS só entram em vigor a partir de Junho e somente a partir de Junho». Mais: «No meu espírito nunca esteve outro período que não fosse Junho».
O (PM) Principal Mitómano do governo veio corroborar esta verdade. O princípio da retroactividade não se aplica e os senhores das finanças lá farão umas contas e uns cálculos de forma a que seja aplicada a taxa só no período de Junho a Dezembro. «Só fará sentido aplicá-la para a frente», como a areia nos nossos olhos aliás.
Nota 1: Não esquecer que Pedro Passos Coelho, a confiar nos acordos estabelecidos com o PS e não desmentidos, face à aprovação das medidas no Parlamento, sabia da construção do enredo até à revelação desta tarde e manteve-se fiel ao pacto diabólico. Só não se mantém fiel ao princípio da verdade.
Nota 2: Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento por muito menos do que isto. À conta da conjuntura (vulgo Presidenciais) Cavaco Silva anda a fazer equilibrismos sem rede, sobre um barril de pólvora ao sol.
Dress code AR
terça-feira, junho 01, 2010
Mil milhões acima do baixo e oportunista
Quem decide, na PT, são senhoras que andam na vida como quaisquer outras. Vendem o corpo exactamente da mesma maneira, convencidas de que a alma se mantém pura e sem mácula porque não se deixaram levar à primeira oferta.
A diferença entre estar numa paragem de autocarros ao lado do Técnico e sentada num confortável sofá do Elefante Branco é que o segundo género sabe "encaixar" melhor. No mínimo mil milhões de euros melhor.
Desculpe, não percebi
Depois de Valter Lemos - essa grande autoridade que, qual salva-vidas legislativo, tão facilmente vigia a praia da Educação como a pasta do Trabalho e Solidariedade Social - vir fazer acrobacias com os últimos dados do Eurostat sobre desemprego, que bateu um recorde de 10,8% da população portuguesa activa, face aos 9,2% no mesmo período do ano passado...
segunda-feira, maio 31, 2010
Isto não vai correr bem
Lançar medidas de austeridade no dia em que começa oficialmente a época estival é um erro crasso. Desta forma, como se poderá fazer a necessária consciencialização dos esforços e da aplicação destas medidas fiscais suplementares e esta redução das despesas do Estado?
"Austeridade" e "esforço patriótico" são diametralmente opostos a "praia" e "férias de Verão". Não podiam adiar isto para meados de Setembro? Aí sim, não haverá dinheiro, com a vantagem de não nos lembrarmos para onde foi nem como.
Ou será que a dupla do tango sabia bem demais (sem perder votos nas eleições que se antecipam) que muito mais facilmente se conseguirá meter a mão no bolso do povoléu, sem que este se aperceba, porque deixou a carteira em cima da toalha enquanto se afastou para dar um mergulho?
Nada melhor que o calor, umas caipirinhas, e um mundial de futebol para se entreter as gentes.
Escutas ao processo "Cara de Pau"
PP: Então tens acompanhado a visita do nosso homem no Brasil? Achas que ele vai dar uma corrida no calçadão? Sabes como estas coisas caem bem na opinião pública. Se é para apertar o cinto, ao menos que seja com estilo e a suar!
RPS: Pois é pá! Parece que o "grande chefe" lá conseguiu que o Lula o levasse a tirar umas fotos na casa do gajo, do Chico.
PP: Do Chico? Quem, o Pinto Balsemão? Pá, o chefe é mesmo muito à frente, já é a segunda vez que ele consegue ir a uma reunião do Clube de Bilderberg. É os maçons, agora estes. Está em todas!
RPS: Não pá. Estou a falar do Chico Buarque. O "grande chefe" conseguiu marcar um encontro com o tipo e os jornais interpretaram como um convite por parte do gajo ao nosso primeiro. Isto calha mesmo bem, até lhe chamamos um figo...
Manuel Alegre
Curriculum Vitae: menino que pregava pregos numa tábua
Faltam menos de 24 horas...
Não faz mal. Camarada, se perdeste o emprego, se tens fome, deixa de ser caprichoso. Não sejas careta, entra no espírito. Põe a boca ao serviço e toca de soprar na vuvuzela até te saírem os olhos das órbitas. Vem apoiar Portugal.
Mas faz um favor, não esperes que Portugal te apoie a ti. Não sejas egoísta.
sábado, maio 29, 2010
Freud também explica a golden share
A propósito da eventual OPA da espanhola Telefónica sobre a PT, o primeiro-ministro veio puxar dos galões e acenar com a "golden share" que o Estado tem na Portugal Telecom. "Para Portugal, a PT é uma empresa estratégica. É por isso aliás que temos uma 'golden share'. É para nós estratégica se for uma empresa grande, se tiver uma ambição de participar naquilo que é a economia global, de estar presente em vários continentes, como está a PT. (...) Nós queremos uma PT grande, uma PT com escala".
Ora, se isto não é um autêntico deslize freudiano, não sei o que será. Deixemos de lado as respostas (escritas com a ajuda dos spin doctors de serviço) às 80 perguntas da comissão. Na folha em branco, José Sócrates sabe bem afirmar uma coisa e o seu contrário, sem mentir. Atenção, sem nunca mentir.
Já a quente, sem as "fichas" preparadas, resvala-lhe o pé para o chinelo, como acaba de acontecer, admitindo que o governo está, como tem de estar, por dentro das negociações existentes na PT por ter a tal golden share que, por ironia, vai ser impedido de usar por Bruxelas por violar a legislação comunitária.
Em 24 de Junho de 2009, o PM afirmava com a veemência que lhe é característica, que "o Estado não se mete nesses negócios", da participação da PT na TVI, apesar da bem conhecida vontade de calar uma linha editorial oposta aos interesses do Partido Socialista.
Também recebeu uma SMS de Vara confirmando a saída da "Manela", "não digas nada", mas não mentiu. Não mentiu.
Bem, de facto diz a sabedoria popular que uma mentira dita muitas vezes pode tornar-se uma verdade. Pelo menos na cabeça de quem a profere.
sexta-feira, maio 28, 2010
A austeridade da crise
Sou eu ou o aumento do IRS em 1 e 1,5%, do IVA da Coca-Cola e dos iogurtes bifidus activus e os 2,5% adicionais no IRC das empresas com mais de 2 milhões de lucros são medidas anti-crise, perdão, de austeridade? Ou são as outras? Os cortes no subsídio social de desemprego, a redução do número de dias de trabalho para efeitos de atribuição do subsídio de desemprego e o fim do alargamento do abono de família aos escalões 2 a 5 por conta das despesas de educação?
Dói-me a cabeça.
Porque o Pathos que não nos larga
Se nos queremos definitiva e inequivocamente descolar da Grécia, não seria mais fácil que o PM começasse a chamar-se José Pinto de Sousa, como vem lá no Cartão do Cidadão? Só assim para acalmar os mercados financeiros. Nem que fosse por uns meses. Isso conseguíamos perdoar-lhe.
É que talvez já nem fossem necessárias as medidas de austeridade.
Vocês é que são Europeus, vocês
Quem não se lembra das Eleições Europeias 2009? Bom, talvez ninguém se lembre, foi há quase um ano. Mas a verdade é que o PS e o "avô cantigas" Vital Moreira adoptaram aquele mítico slogan de fervor federalista "Nós, Europeus". Já nem portugueses éramos. Éramos, nós todos, do Minho ao Algarve, europeus, cidadãos do mundo civilizado. Irmãos com as demais nações do Velho Continente, nos fundamentos e na filosofia que tem por base a construção de uma unidade em torno dos mesmos valores, do mesmo esforço comum em construir um espaço verdadeiramente comunitário. Isso e mais qualquer coisa.
Agora é vê-los.
"Cuidado com a Alemanha", Freitas do Amaral
"A situação de Portugal é completamente diferente da grega", José Maria Ricciardi (BES Investimento)
"Portugal e Grécia não estão no mesmo barco", Jean-Claude Trichet (presidente do BCE)
"Comparação à Grécia é injusta e despropositada", José Sócrates
Somos todos amigos, mas só quando os mercados estão a dormir.
quinta-feira, maio 27, 2010
quarta-feira, maio 26, 2010
O Regresso dos Especialistas (versão Mundial da Crise 2010)
Luís Nazaré, ex-dirigente do PS nomeado presidente dos CTT para substituir Horta e Costa logo a seguir à vitória nas eleições legislativas de 2005, liderou o Instituto de Comunicações de Portugal (ANACOM) e tem ligações muito fortes ao Benfica. João Ferreira do Amaral, que hoje aparece na capa no Jornal de Negócios com a parangona de que a economia tem sido destruída pelo Euro, acompanhou o ex-presidente Mário Soares como consultor no período da integração de Portugal na CEE, tendo sido membro do comité de Política Económica da então comissão e da OCDE. A seguir temos Mira Amaral, com o percurso político que se conhece, com passagem pela CGD e mais recentemente com o presidente executivo em Portugal do cinzento Banco BIC (Angola). Por último, António Nogueira Leite. Se Teixeira dos Santos é a mãe biológica da Santa Maria Austeridade, este professor de economia bem pode reclamar-se como mãe adoptiva. Actualmente vogal do CA da Brisa (atenção ao corte nesse rating), o mesmo cargo que ocupa ou ocupou em inúmeras outras empresas (CUF, etc), desempenhou funções como secretário de Estado do Tesouro e Finanças em 1999 no governo de António Guterres...
Mira Amaral e Nogueira Leite têm até pontos comuns que não deixam de ser bastante curiosos num cenário de eventual alternância política da governação. Ambos pediram a cabeça de Manuela Ferreira Leite depois das eleições que reconduziram José Sócrates nos des(a)tinos do país em 2009, apoiando a candidatura interna de Pedro Passos Coelho e ambos têm experiência em colaborar com o PS num ou noutro momento da história recente de Portugal.
É a isto que chamam um painel de convidados com opiniões transversais. Não há dúvida que assim o esclarecimento público é garantido. De certeza que fariam diferente e com menos recurso ao jogging. Estamos bem entregues.
terça-feira, maio 25, 2010
Portugal Estupidificado
Diz o site da SIC que "todos eles vão falar do que nunca falaram e mostrar o que o Mundo nunca viu. As vidas, as casas, os carros, as famílias, os segredos, os desafios mais ousados e as imagens mais surpreendentes.
Em 2008, “Os Incríveis”, com Cristiano Ronaldo tornou-se no programa de entretenimento mais premiado internacionalmente na história da Televisão Portuguesa depois de vencer o Festival Mundial FICTS, em Milão, de ter sido eleito o melhor documentário no 4º Festival Internacional de Desporto Televisão e Cinema da zona asiática e ter sido reconhecido com o prémio máximo no 12º Festival Internacional de Liberec, na República Checa."
Eu sabia que éramos grandes mas agora tenho a certeza. Se não fosse para rir desatava já a chorar.
Piada de mau gosto
Plano de austeridade lá de casa
- Voltar a pedir a mesada aos pais porque o BES não está a emprestar dinheiro (nem a conseguir emprestado)
- Poupar
- Pedir um cartão de crédito para pagar a prestação da casa
- Não pagar a prestação da casa
- Pagar as prestações dos empréstimos só depois do Verão
- Poupar
Cortar nas despesas (depois de enviar o vale de correio para a África do Sul com €368):
- Não pagar a prestação da casa
- Dizer ao gerente do banco que estou a sofrer um ataque especulativo na minha dívida externa
- Regozijar-me com a sobretaxa de 1,5% de IRS sobre o meu vencimento, já que assim tenho menos para gastar
- Fazer um crédito individual só de €5.000 pré-aprovado, para ir de férias de Verão para Ibiza, e esquecer os planos de €10.000 para o Nikki Beach em Albufeira (já a pensar no aumento do IVA)
- Não comprar o passe social a partir de Julho
- Não beber Coca-Cola
sexta-feira, maio 21, 2010
Não quero ficar na bicha, avanço já com a promulgação
"Pergunto se não seria útil dar conta dos efeitos desta promulgação no que diz respeito aos eleitores do actual Presidente da República.
É que eu, por exemplo, não votarei neste senhor nas próximas presidenciais. Votarei em branco. Traiu por todas as formas a expectativa que nele muitos depositávamos de constituir um contra-peso de bom senso nesta absurda agenda fracturante "civilizacional", começando pelo referendo ao aborto, que convocou imediatamente, e terminando nesta triste promulgação.
Para mais fê-lo desprezando os seus próprios poderes constitucionais, com base num inqualificável argumento utilitarista. Para mim acaba por ser indiferente que seja este o Presidente da República ou outro qualquer, como por exemplo o Manuel Alegre (nem acredito que tenhamos chegado a isto...).
Já nem as pessoas que tínhamos como rectas conseguem fazer política com alguma coragem: tudo se faz na base de frios cálculos pragmáticos eleitoralistas.
Pois bem. Talvez este cálculo tenha saído errado, porque muitas pessoas como eu deixaram de ter algum motivo para votar neste senhor. Muitos que eu conheço já me disseram que não voltariam a votar nele. E penso que o sentimento é mais genérico do que me mostra uma mera observação empírica. Pois a base eleitoral do actual PR não é precisamente aquela que é contrária a este tipo de leis iníquas?
Não seria bom que o senhor PR tivesse a consciência de que, para além de ter abdicado dos seus princípios - que pareciam até estar reforçados pela visita do Santo Padre - abdicou também (de muitos) dos seus eleitores?"
Estêvão da Cunha
Quatro anos depois...
sexta-feira, setembro 22, 2006
Rapar o tacho
Vê-los na televisão é uma coisa, ouvi-los falar à nossa frente, ter de interagir com eles e encontrar formas de os fazer ser concretos no discurso, ser práticos nas medidas, ser esclarecidos nas matérias, é algo de muito distinto. A "eles" refiro-me, como calculam, aos meninos do tacho. É aliás sintomática a expressão que teve quando me dirigi para lhe pedir as declarações pretendidas: "deixe-me só comer alguma coisa". Claro, não foi também assim que chegou ao Parlamento Europeu, a vice-presidente da Comissão para os Transportes e o Turismo? Não por perceber de nenhuma destas duas matérias, mas porque alguém do partido lhe deixou "rapar o tacho".
Eu ontem acabei por lhe conceder essa vontade. Depois, todo contente, lá veio responder às perguntas, já com a boca cheia de nada, como o discurso.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Pirómanos em Lisboa
É pena que apenas tenham anunciado a segunda edição do Mundial de Pirotecnia, que começa este sábado na marina do Parque das Nações, em Lisboa. Porque o Campeonato Nacional de Piromania já está a decorrer há alguns meses, privilegiando sobretudo as zonas rurais do país, para variar...
Importante é que a partir das 23h00 horas, todo os sábados de Setembro, os espectáculos de fogo de artifício vão iluminar os céus de Lisboa. Isto num esforço das entidades públicas para tentar prolongar a "época oficial" de fogos, desta vez na capital, para causar o impacto que as fagulhas esvoaçantes do Gerês, do Alentejo, de Santarém não causam. Os portugueses já estão bem habituados a céus iluminados durante as noites quentes de Verão
O Troféu Vencedor do Mundial de Pirotecnia será disputado pela Itália no dia 9, a Alemanha no dia 16 e pelos EUA a 23 de Setembro. O Grupo Luso de Pirotecnia tem a responsabilidade da cerimónia de encerramento, no dia 30 de Setembro, aproveitando até lá para atear mais alguns noticiários enquanto não há mais escândalos que envolvam voos da CIA, listas de devedores ao Fisco ou avanços nas OPAs pendentes.
quarta-feira, agosto 16, 2006
Mudam-se os tempos...
Durante décadas, a comunidade científica definiu o sistema solar com nove planetas. Apesar disso, alguns astrónomos questionaram se seria correcto contar com Plutão, que é mais pequeno do que a Lua.
(Marques Mendes também é mais pequeno que Pedro Santana Lopes e mesmo assim é considerado líder do PSD... ou talvez não seja, mas não é isso que agora está em discussão)
Dependendo dos resultados, que serão revelados no final da conferência, o sistema solar poderá ser alargado para incluir 23, 39 ou até 53 planetas. Se o Xena, descoberto a 5 de Julho de 2005, for considerado um planeta, então também vários outros corpos celestes terão de o ser.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Um destino com queda para o mistério
«Morreu o bebé atingido na queda de um eucalipto em Sintra»
Já vem da altura do Eça de Queirós, do Lord Byron ou mesmo de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Sintra tem uma queda especial para o esoterismo e o mistério.
Desta vez a história passou-se com uma família de dez pessoas vindas de Amarante, atingidas pela queda de um eucalipto na estrada que segue para o Palácio da Pena. O bebé e a avó morreram, como não poderia deixar de acontecer num thriller deste género, em que se percebe existir um intuito propositado de eliminar os elementos daquela família a partir dos extremos etários...
De certeza que o ministério do Ambiente vai abrir um inquérito para averiguar as culpas da queda do eucalipto e, como é óbvio, o ónus irá cair sobre - não uma família vinda de Penafiel para um piquenique - mas sobre o próprio eucalipto.
A boa notícia é que dois dos feridos já receberam alta, enquanto outros dois vão ser operados hoje para retirar folhagem eventualmente entalada nas vias respiratórias, adiantou o presidente da Junta de Freguesia de Fridão. Como noticiou o Público, o autarca salientou que todos os feridos, internados no Hospital Amadora-Sintra e no São Francisco Xavier, estão livres de perigo, já que colocaram dois elementos da PSP à porta do quarto dos doentes, para manter os eucaliptos à distância.
quarta-feira, julho 12, 2006
Bodes expiatórios
Porque esse Deus-bode-expiatório-de-todos-os-males é impotente perante os nossos actos, que estamos no mundo. Não arranjemos desculpas para a merda que fazemos ou para os actos de coragem que deixamos de fazer.
quinta-feira, julho 06, 2006
Espionagem industrial
segunda-feira, julho 03, 2006
Para atirar à cara dos jornalistas
«A imprensa sem alma»
«Cerca de mil e quinhentos «licenciados» em «Comunicação Social» e seus derivados saem, anualmente, de escolas, institutos e universidades onde aquelas coisas se ensinam. Um concentrado de sonhos e ambições, cedo atirado para o desespero de não encontrar emprego.
Saem com deficiente preparação. Não admira: conheço muitos professores daquilo. Desses muitos, todos são medíocres; arrastaram-se, penosamente, pelas redacções de jornais e revistas, e encontraram encosto no «professorado» ou nas assessorias de Imprensa. Bernard Shaw disse, com lúcido sarcasmo: «Quem sabe, faz; quem não sabe, ensina». O resultado é o que se vê. Com as excepções a confirmar a regra, o jornalismo português não é mau - é péssimo. E as excepções correspondem àqueles e, sobretudo, àquelas, que foram para o ofício movidos pelo fulgor da paixão, a que adicionaram vontade, conhecimento - e a teimosia de fazer diferente.
Há anos, uma precipitada jornalista do «Diário de Notícias» quis saber os motivos que me haviam impelido ao jornalismo profissional. «O espírito de ser útil», respondi. E, também, a circunstância de o meu pai ter fundado jornais («Diário Popular» e «Diário Ilustrado»), e de aos jornais («A Voz» e «O Século», foram o primeiro e o último onde trabalhou) ter consagrado a parte mais estelar da sua vida.
A rapariga ficou surpreendida com a afirmação, e talvez a tomasse como impetuosidade de quem tem por hábito dizer o que pensa. Mais espantada a deixei quando lhe disse que estivera dez anos em «O Século» (de onde fora despedido por motivos políticos) e vinte e três no «Diário Popular», de lá saindo por incompatibilidade total com a deriva do vespertino. «E lá permaneceria, acaso as coisas não se houvessem alterado», disse. E perguntei: «E você?» Logo ela: «Estarei no ‘Diário de Notícias’ até arranjar uma assessoria».
Nasci num lençol de papel impresso. E conheci e trabalhei com o que de melhor existia na Imprensa da época. Quando nomeio os que deram a fisionomia ética e estética a essa componente fundamental da cultura portuguesa, não o faço por nostalgia. É um imperativo moral e uma espécie de reparação ao triste esquecimento a que esses homens foram ostensivamente votados. A memória das Redacções passa pela exigência de se lutar contra o esquecimento, o qual participa de um muito mais vasto projecto ideológico conservador.
Harrison Salisbury, que foi um dos maiores jornalistas ocidentais e uma assinatura de prestígio no «The New York Times», respondeu, certo dia, a um moço que lhe perguntara como poderia ser jornalista. «Percorra a Bronx, vá ao Harlem, caminhe por Queens. Assista a alguns julgamentos. Observe os hospitais públicos. Analise o comportamento social dos sindicatos. Fale com os polícias das esquadras dos bairros. Mas, sobretudo, goste de pessoas». Frases como estas deviam figurar em todas as Redacções. Aqui se contém a essência primeira do jornalismo. E é uma lição de tudo.
Já falei, em crónica anterior, da fúria acrítica e irracional que varre a Imprensa. O Mundial da Alemanha converteu-se na dimensão bufa de uma nova Aljubarrota. «A Bola», fundado pelo tarrafalista Cândido de Oliveira, titulava, na segunda-feira, a primeira página, com esta bizarria: «Heróis da Resistência», saltando, airosamente, sobre o significado profundo da expressão. Tudo é permitido. A razão, o bom senso e o bom gosto sofrem atropelos. O processo de imbecilização do país prossegue impante e impune. Todavia, qual for o resultado, a ressaca vai atirar os portugueses para o grau mais baixo da ciclotimia.
De uma maneira geral, os jornais portugueses são todos iguais, com notícias iguais, títulos semelhantes, precaucionistas, má prosa, vocabulário rudimentar, comentadores sem rasgo, preguiça na pesquisa, carência de criatividade, ausência de originalidade editorial. Os jornalistas não saem das Redacções, servem-se da net e do telefone, de meia dúzia de ideias feitas.
Chega-se ao absurdo de se publicar textos de acontecimentos internacionais, em narrativas compostas na Redacção, mas firmadas como se o jornalista estivesse no local. Há redactores que nunca, jamais, em tempo algum saíram em busca da notícia, ou na procura do desenvolvimento de uma informação dada pelos telejornais. Aparecem, nas primeiras páginas (não se deve dizer «capa», «capa» é de revista; «primeira página» é de jornal), chamadas para factos ocorridos quase vinte e quatro horas antes!
O espaço gasto em inutilidades atinge as raias do abstruso. E os custos de produção são caríssimos, exactamente porque há manifestamente um subaproveitamento das capacidades dos jornalistas. Diariamente, adquiro três (ocasionalmente quatro) jornais. Nos fins-de-semana, sete; quatro dos quais estrangeiros. Faço a comparação. Um desastre. Para nós, é evidente. Depois, a grande falácia da «independência» ideológica. O provincianismo, aqui, só dá para fazer caretas. É defeito o «El Pais» ser, manifestamente, de esquerda moderada; e «El Mundo» abertamente de direita? «The Guardian» defende causas de esquerda, assim como «Le Monde»; e «Le Figaro», de direita. São maus jornais, devido a essas definições? Bem pelo contrário. E outra pergunta: para que servem os «provedores»? São os vigilantes de quê e os curadores de que verdade absoluta ou relativa?
Lastimo ter de dizer isto: que estímulo à inteligência, que provocações à nossa inércia, que propostas indicam esses «comentadores» que enchem, de vacuidades e de necedades, as páginas dos nossos jornais, sobretudo aqueles que se dizem «de referência»?
Onde estão as grandes reportagens, as crónicas, as entrevistas, as notas e os artigos que escapam à vulgaridade e proporcionam, aos leitores, altos momentos de prazer e de reflexão? Onde se debatem as grandes causas e os nobres combates? A quem interessa esta emasculação do jornalismo português?
Faço-lhe, Dilecto, mais algumas perguntas ingénuas: percebeu alguma coisa do que ocorre em Timor? Será verdade que Alkatiri foi armadilhado pelo facto de se opor a uma negociata do petróleo, antagónica dos interesses dos timorenses? As tendências hegemónicas da Austrália, na região, obedecem ao princípio, sempre ambíguo, dos «interesses nacionais», de uma potência que só é grande pela impressionante dimensão do seu território? E quais as relações entre a Austrália e a Indonésia neste conflito?»










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